Acalme-se: Que Fazer com a Ansiedade Exagerada?
Autor/Fonte: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza Acessos
O que fazer quando estamos ansiosos demais? - Parte 1 de 2
Não há ser humano sem ansiedade. Ansiedade pode ser vista com algo positivo, como aquela sensação de esperar alguém que vai chegar e que você ama. Você fica ansioso(a) para encontrar a pessoa. A ansiedade pode ser o estímulo para fazermos algo, para resolver o que tem que ser resolvido na vida. Mas, ela pode ser negativa, doentia, que é quando ela invade nossa mente e nos leva a comportamentos ruins e sofridos.
Todas as pessoas têm ansiedade, mas nem todas têm ansiedade doentia. Todas as pessoas têm temperatura corporal normal que é em torno dos 36.5 graus Celsius. Mas nem todas as pessoas têm febre. Assim como a temperatura corporal pode aumentar gerando a febre, a ansiedade pode aumentar gerando diferentes transtornos mentais.
Existem pessoas que nasceram com uma ansiedade mais forte e mais constante que outras. Elas possuem a chamada “ansiedade traço”. Por outro lado, há as pessoas que somente em algum período da vida experimentam uma ansiedade alta, que é quando chamamos em Psiquiatria de “ansiedade estado”.
As pessoas com “ansiedade traço” atuam geralmente de forma constante com agitação, inquietude, atropelando as coisas, antecipando medos, aceleradas, sempre aflitas e tendendo a afligir as pessoas ao redor com seus “medos” e “preocupações” desnecessárias, ou jogando tudo para dentro de si, e tendo sintomas físicos como manifestação da ansiedade. Já as pessoas com “ansiedade estado” ficam assim também, mas por um período de tempo somente, que é o tempo no qual elas estão passando por alguma experiência traumática, estressante. Mas passando este momento e resolvendo o conflito, elas voltam a um estado de ansiedade normal.
Excesso de ansiedade pode produzir o chamado “ataque de pânico”. Também a ansiedade exagerada e por um longo tempo na vida da pessoa pode produzir outros transtornos, como o TOC – Transtorno Obessivo-Compulsivo, o TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada, a Fobia Social, a Fobia Simples, o TEPT – Transtorno de Estresse Pós-Traumático, além das doenças psicossomáticas, etc.
Dentro do modelo cognitivo (não psicanalítico) do pânico, supõe-se que um estímulo (dentro da pessoa ou fora dela) qualquer pode disparar uma avaliação de perigo que produz a ansiedade. Por exemplo: a pessoa sente uma pequena e rápida fisgada no peito, produzida por uma contração muscular sem qualquer perigo para a saúde. Isto produz ansiedade nela, e começam a surgir pensamentos catastróficos e distorcidos em sua mente, tipo: “Acho que meu coração está falhando!”, ou “Será que vou ter um ataque cardíaco?”, “Me lembro que meu pai teve isto e depois enfartou!”, etc. Na medida em que tais pensamentos tomam conta da mente da pessoa, a ansiedade aumenta mais e mais e ela começa a ter outros sintomas por causa da alta ansiedade, tais como sudorese, taquicardia, vertigem, tonteira, tremores, etc. Com isto surgem interpretações mais catastróficas, formando o ciclo vicioso doentio e o ataque de pânico.
No ataque de pânico há três níveis de respostas principais:1)Cognitivo: idéias de morte iminente, sensação de desmaio, de que vai ficar louco, que perderá o controle;2)Autonômico: sinais corporais como os descritos acima, e3)Comportamentais: fuga (a pessoa sente que precisa sair urgentemente de onde está), busca de proteção (corre para um pronto-socorro, ou para perto de alguém que produz segurança), evitação (começa a evitar lugares e situações onde ocorreu o pânico, achando que poderá ocorrer de novo). A experiência da pessoa é tão desagradável e assustadora que ela pode desenvolver um medo do medo, ou seja, ela tem medo forte de vir a ter de novo aquela crise, e isto em geral leva o indivíduo a evitar situações e lugares onde já experimentou a crise, gerando o que chama-se de “agorafobia”.
O termo “agorafobia” significa “medo de espaços abertos”, ou seja, medo de estar em público, numa fila de banco, na rua, num shopping, porque seus pensamentos catastróficos afirmam que a pessoa irá ter o pânico. É uma imaginação. Há pessoas com crises de pânico sem limitar sua vida social seriamente, e há as com agorafobia que são as que passam a evitar certos lugares ou sair sozinhas.
No próximo artigo comentarei sobre o que fazer para lidar com a ansiedade exagerada que produz tais crises.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário